1.6.10

morte de marte, vinda de vênus

ele
reclamou das minhas pernas inquietas, tocou-as, com 0,3% de objetividade de fazê-las pararem. tocou-as. quietas, reclamou da quietude, transformou sossego em monotonia. irritou-se ao me ouvir dizer da barba que me arranhava; jogou os barbeadores fora. mudou o canal da televisão, deitou no meu lado da cama (ele sabia que aquele foi sempre o meu lado), puxou as cobertas durante a noite. não veio à noite. sumiu.
ela
riu dos meus joelhos tortos, acariciou-os, encostou aos seus. 0,0% de força que os machucassem. encostou-os. juntos, agradeceu por aquecê-la, transformou o torto em encaixe. envergonhou-se ao ouvir sobre seus olhos anil. me prendeu quando roubei um beijo dos seus lábios descansados; acordou-os. pegou em minha mão, me levou para longe, me fez querer ter uma máquina do tempo. sumiu.

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